Carta a um jovem casal

É um privilégio enorme poder participar de uma bodas de diamante, é algo que deve ser guardado a sete chaves e sempre rememorado lá no fundo do coração. Comemorar tantos anos juntos não é pra qualquer um, especialmente em tempos onde a prioridade deixa de ser o próximo, para tornar-se a si mesmo.


A Dona Aurora e o Sr. Jair me concederam esta oportunidade, registrar o aniversário de um casamento deles que já dura 60 anos! Simplesmente não tenho palavras pra descrever a alegria do Jair ao ouvir que queríamos uma foto do casal se beijando. Pensei comigo mesmo "deve ser um beijo tímido, afinal não há motivos pra ficar ansioso", e como eu não podia estar mais enganado! Seus olhos brilhavam tanto... era como se fosse a primeira vez que beijaria a sua amada Aurora. Devo dizer, foi uma cena para poucos.


Durante a festa lembrei muito dos meu avós, que apesar de não terem chegado aos 60 anos de casados, passaram dos 50, o que ainda é muita bagagem pra uma vida à dois. Pensando nisto, gostaria de compartilhar com vocês, através de uma pequena carta (versão traduzida e adaptada de uma música da banda Yellowcard), que me trás à memória muito do que meus avós sentiam um pelo outro, e que também transcreve um pouco do que pude experimentar ao fotografar uma bodas de diamante tão singela e ao mesmo tempo, tão incrível.

“Querida Bobbie,


Você se lembra de quando era jovem e muito bonita? Lembro-me de saias longas, e seus sapatos de cano baixo. Você se lembra de como dançamos naquela noite? Eu me lembro, ainda penso em nós enquanto dançamos, mesmo que não consigamos mais balançar os quadris como antigamente.


Você se lembra quando... Quanto tempo faz? Era 1945, você abriu meus olhos pra ver um mundo cheio de vida. Lembra do que lhe disse naquela noite? Disse que se estivesse ao meu lado, sempre que as manhãs começassem eu me apaixonaria por ti todas as vezes. É uma promessa que fiz naquela noite.


Lembra das várias vezes em que brigamos e desistimos um do outro, mas sempre acabávamos reatando laços? Finalmente nos casamos em 1949, dirigindo um conversível amarelo na nossa lua de mel. Você se lembra? Eu lembro.


A vida nos juntou aqui, nos aproximou cada dia mais em todos estes anos. Esta casa que construímos juntos levou uma vida para ser construída, e as memórias que cultivamos nela, permanecem guardadas aqui comigo.


Estou voltando pra casa, retirando meus sapatos. Enquanto descanso numa cadeira, vejo que você está de pé ali, com seus longos cabelos brancos. Quando me deitar a noite, quando fechar meus olhos, sei que o sol nascerá, e enquanto você for minha, está tudo bem.


Hoje você tem cabelos brancos, mas é uma linda mulher. Como os anos tem sido generosos conosco... nós caminhamos devagar, mas ainda temos um ao outro ao nosso lado. É o amor que nos mantêm unidos.


E em todos estes anos, é de amor que eu me lembro. Você se lembra?"




O tempo voa enquanto sonhamos, não é mesmo? Casais vem e vão. Alguns duram pouco, outros por tempo o bastante para aprendermos alguma lição, mas há aqueles que encontram no outro aquilo que vai lhes fazer transbordar o melhor que existe dentro de cada um. São muitas pontas soltas escondidas, é difícil perdoar quando o outro nos machuca, mesmo que por amor. Tentar todos os dias, renovar seus votos de amor e saber conversar para se reconciliar, como se fosse a primeira vez, são tarefas árduas, porém recompensadoras.


Aos casais que passaram por mim ou ainda estão trilhando a caminhada até o altar, aos que me concederam a honra de poder contar as suas histórias, meu muito obrigado. Sei que sou a pessoa de sorte aqui, pois fui escolhido dentre tantos outros para ter a honra de acompanhar o surgimento da sua nova família!


Qual o legado você quer deixar aos seus filhos e gerações futuras? Que histórias quer contar? Você me permite contá-las? Me manda um oi aqui e vamos trocar uma prosa tomando um café, o que acha?


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